A Associação Mundo Real foi fundada para prestar serviços de saúde e prover oportunidades educacionais dentro de comunidades empobrecidas da América Latina e do Caribe. Nossa organização está envolvida em uma série de empreendimentos sustentáveis de desenvolvimento comunitário, e estamos empenhados em melhorar a saúde e bem-estar das pessoas, especialmente aqueles que são mais pobres e que residam em algumas das comunidades mais marginalizadas urbanas da América Latina e do Caribe. Para isso, nos esforçamos para melhorar as condições de vida e reduzir as desigualdades de acesso aos serviços, principalmente nas áreas da saúde pública e educação. Mundo Real é uma organização independente, sem filiação religiosa ou política. Todas as nossas atividades ocorrem dentro da região da América Latina e do Caribe. A primeira comunidade urbana em que Mundo Real começou a trabalhar é a Rocinha, localizada na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. A Rocinha é considerada a maior favela do Rio de Janeiro, a mais densamente povoada e urbanizada. A comunidade possui uma população estimada entre 100 e 200 mil habitantes, que vivem aglomerados em uma íngreme e acidentada paisagem de apenas (0,80) milhas quadradas. Dentro desta comunidade altamente densa, a maioria dos residentes subsiste em condições de pobreza ou extrema pobreza, moram em pequenos barracos ou casebres quase empilhados. Algumas construções chegam a ter 8 andares. Das 126 regiões administrativas oficiais do município do Rio de Janeiro, a Rocinha está no 120º lugar, ou seja, a comunidade é a sexta pior da cidade, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da cidade, a partir de dados fornecidos em 2000. Nesse mesmo censo (IBGE 2000) estimou-se que haja pelo menos 6.000 moradores da Rocinha que sofrem de problemas de saúde relacionados com deficiência. Mais recentemente, em 2008, um censo governamental que mede o IDH de 510 favelas do Rio de Janeiro (das mais de mil favelas que existem na cidade), Rocinha ficou na 316ª posição, posição bastante baixa, que retrata IDH significativamente inferior à média do IDH das 510 favelas consideradas no censo. Apesar de a Rocinha estar localizada entre dois dos bairros mais ricos do Brasil, São Conrado e Gávea, a precariedade das condições de saúde e educação, bem a dificuldade de acesso a esses serviços, são estarrecedores. Líderes comunitários, acadêmicos e ativistas que acompanham de perto a situação e os índices sócio-econômicos argumentam que, quando se considera o tamanho da comunidade e seu baixo IDH, pode-se facilmente estimar que o número real de moradores da Rocinha que sofrem com a precariedade dos serviços é maior do aqueles apresentados pelas estatísticas oficiais, que subdimensionam tanto o tamanho da população quanto os problemas que ele enfrenta. A dificuldade local pode ser retratada pela simples constatação de que esta enorme e densa comunidade enfrenta problemas relacionados com a saúde sem um único hospital local, ou médicos especializados para assistir aos seus residentes. As dificuldades de mobilização da própria comunidade não surpreendem: o nível de escolaridade médio entre os moradores é muito baixo. Na média, são apenas 4,1 anos de educação formal, com menos de 1% da população adulta da Rocinha tendo nível superior. As atividades que pagam um salário relativamente aceitável no Brasil são quase todos reservados para os cidadãos com os maiores níveis de educação formal.
Programas de Saúde Urbano, Serviços Humanos, e programas educacionais do Mundo Real (Históricas, Atuais, e Planejadas)
A seguir, apresentamos nossas atividades no presente e para o futuro. Tal como referido acima, a nossa organização opera em duas áreas fundamentais, saúde e educação.
Atividades Atuais
Todas as nossas atividades atuais são realizadas por voluntários de Mundo Real (ver descrição em nosso site) e pelos residentes da comunidade que se voluntariam com PPP na Rocinha, Rio de Janeiro, Brasil. Nenhuma das atividades atuais tem fonte de financiamento e são conduzidas em base totalmente voluntária.
Mundo Real: Saúde Pública e Serviços Sociais no Contexto Urbano
A atuação de Mundo Real no domínio da saúde e serviços de assistência resulta de nossa preocupação com os indivíduos portadores de necessidades especiais, tais como crianças, deficientes, mulheres, idosos e portadores de enfermidades – crônicas ou não. Nossa Associação é atualmente indispensável na colaboração, organização e prestação de serviços diretos relacionados com a saúde para cerca de 100 casos de necessidades especiais no Rio de Janeiro, que ocorre nos seguintes termos:
1. Envolvimento Comunitário
Por meio da assistência de uma equipe de voluntários de Mundo Real se realiza a mobilização da comunidade, de modo a reunir informações sobre indivíduos portadores de necessidades especiais – nome, local de residência, informações de contato, tipo de necessidade especial/deficiência, necessidades não satisfeitas etc. Estas informações nos permitem coordenar adequadamente a prestação deste e outros serviços – ver próxima seção –, bem como planejar atividades para o futuro. Hoje, Mundo Real dispõe de informações detalhadas sobre os problemas e necessidades de mais de 300 pessoas que moram na Rocinha, em um cadastro que, possivelmente, é mais completo que qualquer organização oficial que atue nesta área. Cada um dos atuais três voluntários de Mundo Real participa do planejamento, execução e avaliação de nossas atividades. A integração com conhecedores da comunidade é fundamental no conjunto de serviços que atualmente são prestados à população alvo, a saber: pobres urbanos e miseráveis. Em uma comunidade urbana como a Rocinha, a maioria dos residentes não tem endereços formais, reconhecidos oficialmente, tornando difícil organizar demandas básicas do dia-a-dia e ser incluídos nos cadastros oficiais. Indivíduos com necessidades especiais, tais como amputados, por exemplo, podem viver grande parte de suas vidas, senão toda ela, presos dentro da comunidade e sem receber qualquer tipo de assistência médica oficial. Serviços públicos de saúde e a luta por prestação de serviços do Poder Público Mundo Real provê serviços de defesa de direitos e serviços para indivíduos portadores de necessidades especiais aumento o acesso destes aos serviços de saúde pública e a chance de receber benefícios governamentais aos quais têm direito. Esta ação ocorre de forma direta e indireta. A ação direta ocorre por meio da atividade dos voluntários acima mencionados, que organizam reuniões públicas ou percorrem cada uma das residências para informar aos portadores de necessidades especiais sobre a existência de serviços gratuitos de atendimento que atendem suas necessidades e sobre as melhores formas de acessar esses serviços, tais como: que formulários preencher, que exames são necessários, como proceder para realizar marcações de consultas etc. Também organizamos o transporte das pessoas necessitadas, por meio de doações de serviços de transporte que nos são oferecidas. Outra atividade é acompanhar os portadores de necessidades especiais aos centros de atendimento médico ou outras atividades que precisam ser realizadas fora da comunidade da Rocinha. De forma indireta, colabora na prestação de serviços por meio de educação comunitária dos residentes. Até o momento, Mundo Real treinou cinco residentes que passaram a atuar também como voluntários em um dos projetos da organização, o Projeto Primeiros Passos. A equipe atual de Mundo Real já forneceu, por meio desses cinco voluntários, atendimento à necessidades de saúde e obtenção de benefícios assistenciais para 125 portadores de necessidades especiais da Rocinha. Como mencionamos, cada um dos três membros do quadro administrativo de Mundo Real estão envolvidos em todas as etapas demandadas para a prestação de serviços. A defesa de direitos é uma atividade especialmente relevante nas favelas urbanas do Rio de Janeiro. Entre as muitas razões para isso, a principal é a falta de acesso das organizações do poder público para registrar e verificar in loco, as necessidades dos moradores, o que os torna invisíveis ao poder público. As precárias condições físicas, ou de saúde, econômicas ou educacionais, quando não todas reunidas, impedem aqueles moradores, por iniciativa própria, buscarem sozinhos apoio fora de seu núcleo familiar imediato. back to top
2. Assistência domiciliar
Mundo Real realiza, rotineiramente, visitas domiciares para informar de consultas médicas agendadas, ensinar como administrar medicamentos que são de uso indispensável e como oferta, também, os serviços de um terapeuta que acompanha a recuperação daqueles que sofreram de algum tipo de acidente vascular cerebral. Esses serviços domiciliares são essenciais, se considerarmos o grande número que estão, por força de suas condições físicas, confinados a ficarem dentro de suas casas ou presos à sua cama. Como já mencionamos, esses moradores costumam ser invisíveis e, portanto, não receber assistência dos serviços públicos de saúde oficiais/governamentais por longo tempo. Como resposta direta a essa grave ausência, a equipe de Mundo Real organiza e acompanha um grupo de voluntários dedicados a colaborar que os portadores de necessidades em suas visitas aos médicos, bem como conduzindo os profissionais da saúde à residência desses moradores. Até o momento, pudemos oferecer assistência domiciliar para mais de duzentas famílias da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro.
3. Distribuição de material médico, medicação, comida e roupas
Mundo Real organiza a distribuição de material médico, equipamentos e medicamentos que tem sido doados para aqueles indivíduos ou famílias de pessoas portadoras de necessidades especiais. As doações foram feitas por farmácias, hospitais e centros médicos, bem como cidadãos. Ainda, como parte de nossos esforços, realizamos a distribuição de alimentos, roupas e medicamentos essenciais para mais de 100 residentes da Rocinha. Alguns exemplos de itens doados são remédios para tratar diarréia e conter febre, band-aids, fraldas descartáveis, repelentes de mosquito e redes – indispensáveis para prevenir a propagação da dengue –, cadeiras de rodas, muletas e oxigênio envasado. Mundo Real tem a forte convicção que a distribuição dos bens acima mencionados representa um serviço vital para comunidades e indivíduos empobrecidos, como é o caso de grande parte da população residente na Rocinha. Nossa capacidade de organizar e servir de ponte entre os necessitados e esta rede de distribuidores é essencial. Acreditamos que a atividade assistencial produz um bônus duplo, na medida em que, além de atender a necessidade imediata e inadiável dos cidadãos, fomenta atividades caritativas dentro da própria sociedade – neste caso, no Rio de Janeiro, Brasil.
4. Distribuição de material médico, medicação, comida e roupas
Mundo Real organiza a distribuição e doação de material médico, equipamentos e para aqueles indivíduos ou famílias de pessoas portadoras de necessidades especiais. As doações foram feitas por farmácias, hospitais e centros médicos, bem como cidadãos. Ainda, como parte de nossos esforços, realizamos a distribuição de alimentos, roupas e medicamentos essenciais para mais de 100 residentes da Rocinha. Alguns exemplos de itens doados são remédios para tratar diarréia e conter febre, band-aids, fraldas descartáveis, repelentes de mosquito e redes – indispensáveis para prevenir a propagação da dengue –, cadeiras de rodas, muletas e oxigênio envasado. Mundo Real tem a forte convicção que a distribuição dos bens acima mencionados representa um serviço vital para comunidades e indivíduos empobrecidos, como é o caso de grande parte da população residente na Rocinha. Nossa capacidade de organizar e servir de ponte entre os necessitados e esta rede de distribuidores é essencial. Acreditamos que a atividade assistencial produz um bônus duplo, na medida em que, além de atender a necessidade imediata e inadiável dos cidadãos, fomenta atividades caritativas dentro da própria sociedade – neste caso, no Rio de Janeiro, Brasil.
5. Transporte para portadores de necessidades especiais
Mundo Real organiza o provimento de serviços de transporte, para uso exclusivo dos portadores de necessidades especiais, seja para consultas de rotina, seja para atendimentos emergenciais. Esses serviços são doados por grupos comunitários ou por indivíduos da cidade do Rio de Janeiro. A importância desses serviços de transporte é difícil de ser mensurada por aquele que desconhecem os desafios na infraestrutura das favelas urbanas do Rio de Janeiro. Em Rocinha, por exemplo, aproximadamente 70% os residentes da comunidade vivem em áreas inteiramente inacessíveis a ambulâncias, carros ou mesmo motos. As casas construídas na Rocinha se espremem e se inclinam montanha acima, sobrepostas, fazendo emergir uma comunidade constituída de becos e ruelas bem estreitas, com escadas cujos degraus costumam ser muito altos e irregulares, além de ter ladeiras que, não raro, são escorregadias e/ou são meio de passagem de esgoto que corre a céu aberto. Esta realidade torna inviável aos que possuem deficiências deixarem suas casas, a menos que sejam literalmente carregados nos braços por voluntários. Por conta disso, organizamos uma equipe de aproximadamente 20 voluntários que ajudam a deslocar essas pessoas através dos becos e escadas, de modo que elas possam chegar aos meios de transportes, quando, então, fazemos uso dos acima mencionados serviços de transporte que são generosamente doados por colaboradores, a fim de que os assistidos por realizar suas consultas médicas em outras regiões da cidade. Este serviço organizado por mundo real é essencial, pois a cidade do Rio de Janeiro não dispõe de algum serviço de transporte público que seja disponível aos portadores de necessidades ou idosos moradores das comunidades como Rocinha. Ademais, o uso de transporte privado como táxis é tão caro que aquelas pessoas não pode se dar ao luxo de pagá-los, por conta de sua renda já muito baixa, senão inexistente. Por conta dessa difícil realidade, costumamos presenciar situações comoventes, onde residentes, geralmente viúvas idosas, relatam estarem confinadas em suas casas ou becos por anos, sem qualquer atenção médica. Até o presente, conseguimos ofertar serviços de transporte para mais de 150 portadores de necessidades especiais do Rio de Janeiro. Estamos lutando para mudar esta dramática realidade!