Moradores de favelas que enfrentam despejo foram proibidos de entrar no escritório da Defensoria Pública

Na sexta-feira, 25 de fevereiro, os moradores de favelas, protestando contra as ilegalidades nos despejos propostos, se reuniram em frente à Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro para fazer suas vozes serem ouvidas em solidariedade.

Os manifestantes e os moradores foram, ainda, unidos por um conjunto de organizações de interesse público e grupos de ação de comunidades locais com a intenção de expressar as suas preocupações sobre os esforços intensificados de gentrificação (ou enobrecimento urbano) em favelas do Rio e bairros marginalizados.

Entre a coligação de manifestantes estavam a Pastoral das Favelas, o Movimento de Redes e Comunidades Contra a Violência e o Conselho Popular, os quais foram fervorosos em suas críticas contra as ações dos governos locais em retirar os moradores das favelas de suas casas. A resposta da coligação foi considerada necessária como forma de neutralizar os esforços recentes de Eduardo Paes e Sergio Cabral.

O objetivo do encontro foi formar uma comissão e assinar uma petição perante a Defensoria Pública como uma forma de pressionar Nilson Bruno Filho, e outros funcionários de alto escalão na hierarquia da Defensoria Pública, para interromper a transferência de seis advogados, que representam as vítimas de despejo do Rio, do Núcleo de Terras e Habitação (NUTH) para outras seções da Defensoria Pública. Estes seis advogados têm sido muito complacentes à causa da comunidade Laboriaux e de comunidades similarmente ameaçadas. É justo dizer que, em grande parte devido à ajuda destes advogados, muitos despejos foram cancelados ou adiados em varas judiciais do Estado do Rio.

Paes, Cabral e outros membros da elite do poder têm tentado remover esses advogados da NUTH silenciosamente, como uma forma de enfraquecer o processo de reivindicações. Paes, Cabral e companhia não tiveram sucesso em sua primeira tentativa de transferir os advogados, mas teimosos como eles são, continuam tentando. No entanto, a luta intensificou-se com até mais funcionários querendo remover esses advogados de seus cargos. O sucesso dos advogados na luta contra os despejos, e sua complacência ao problema, os tornou alvos entre a classe política governante do Estado do Rio.

Para a descrença de muitos, a Defensoria Pública, localmente conhecida como a Casa da Cidadania, foi fechada ao público nesse mesmo dia, com a Polícia Militar armada bloqueando a entrada e tornando impossível que moradores assinassem a petição. Mais surpreendente foi a proibição da entrada do Deputado Federal Édson Santos de Sousa (PT) e do Vereador Eliomar Coelho (PSOL), que tentaram entrar no prédio, mas foram barrados pelos guardas por mais de 30 minutos. É ilegal bloquear a entrada dos habitantes na Defensoria Pública, e isso foi visto por muitos como um sinal de que o governo do Estado estava mais empenhado do que nunca para levar a cabo os referidos despejos.

Finalmente, Édson Santos de Sousa e Eliomar Coelho foram permitidos de entrar na Defensoria e voltaram algum tempo depois para informar à multidão que o processo ficaria suspenso até após as celebrações do Carnaval deste ano. Ficou claro que as linhas de batalha tinham sido traçadas.

Continue seguindo as atualizações do Mundo Real, e da nossa coligação com organizações locais, na tentativa de lutar pelos direitos das comunidades marginalizadas do Rio e de deixar o mundo saber o que a imprensa local não noticia.

O link abaixo é uma cópia da carta que foi elaborada (e eventualmente entregue no dia 25 de fevereiro) por dirigentes e militantes das seguintes 17 comunidades (favelas):

Vila Harmonia, Campinho, Vila Recreio I e II, Restinga, Vila Arroio Pavuna, Vila Autódromo, Vila das Torres, Solar da Montanha, Alto Camorim, Canal do Anil, Taboinhas, Comunidade do Metrô, Parque Colúmbia, Horto, Vila Elza, Laboriaux.

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